quarta-feira, 20 de abril de 2011

Verdadeiro Arrependimento Gera Misericórdia

José ocupava então uma posição realmente invejável. Tinha nas mãos a vida do povo do Egito, inclusive a vida de Potifar e da esposa deste. Mas não havia perigo para nenhum deles. José já mostrara que era homem perdoador e misericordioso, não vingativo ou implacável. Contudo, sua misericórdia havia de sofrer a mais severa prova. Isto se deu quando a fome se espalhou a toda a terra e povos de toda a terra vieram ao Egito em busca de cereais. Certo dia, enquanto José cuidava de seus deveres e compassivamente provia alimentos tanto às nações esfomeadas como aos egípcios, apresentaram-se diante dele seus dez meios-irmãos e se curvaram, com os rostos por terra. José lembrou-se imediatamente de seus sonhos que havia tido a respeito deles, e, embora os reconhecesse, fez-se irreconhecível para eles e falou-lhes apenas por um intérprete. Que tratamento lhes daria? Depois de mais de vinte anos, havia chegado o tempo de julgamento deles. Visto que haviam agido sem misericórdia, mereciam ser julgados sem misericórdia, e, agindo como representante do SENHOR, José não podia violar a justiça de Deus. Contudo, José não era homem vingativo, e teria de prestar contas a Deus pelo seu proceder para com eles. Por isso, com sabedoria de cima, colocou-os à prova. — Gên. 41:53 a 42:8.

Agindo rispidamente para com eles, acusou-os de serem espiões, e quando professavam sua inocência e lhe contavam que eram todos filhos dum único homem, e que havia ainda outro irmão em casa, ele prendeu Simeão diante dos olhos deles e lhes disse que este tinha de ficar preso até que voltassem com seu outro irmão. Compungidos, seus irmãos mostraram uma atitude inteiramente arrependida, aceitando esta calamidade como justiça retributiva da parte de Deus, “porque”, disseram entre si, “vimos a aflição de sua alma [a de José], quando implorou compaixão da nossa parte, mas não escutamos”. José os ouviu, embora e]es não se apercebessem disso, ficou profundamente comovido e se retirou deles em lágrimas. No entanto, a prova deles ainda não havia terminado. Não devia haver dúvida sobre a sinceridade de seu arrependimento. Carregando os recipientes deles com cereais, José mandou secretamente devolver-lhes o dinheiro nas suas sacas e os mandou para casa, retendo Simeão em detenção. — Gên. 42:9-28.

Finalmente, acabou-se o cereal deles e era preciso voltar ao Egito. Mas, haviam sido advertidos de não mais ver a face do administrador de alimentos do Egito, a menos que seu irmão estivesse com eles. Jacó, temeroso de perder o único filho remanescente de sua amada esposa Raquel, já que havia perdido José, negava-se a deixá-lo ir, até que por fim não havia outro meio. Judá prometeu servir de garantia por ele. Quando compareceram perante José e este viu seu irmão uterino Benjamim com eles, não se pôde mais conter. Visto que suas emoções íntimas estavam agitadas para com seu irmão, retirou-se para um quarto interior e entregou-se ao choro. Depois submeteu seus meios-irmãos a uma prova final. Por meio dum ardil, fez parecer que Benjamim havia roubado um valioso cálice de prata e exigiu que Benjamim ficasse como seu escravo, enquanto os outros voltassem para casa e para seu pai. Quebrantados de coração e pesarosos, porque sabiam que a perda de seu amado filho Benjamim levaria as cãs de seu pai à sepultura, suplicaram a José que lhes devolvesse Benjamim, por causa de seu pai, e, finalmente, quando Judá se ofereceu em lugar de Benjamim, José não agüentou mais, e, rompendo em lágrimas, deu-se a conhecer aos seus irmãos, dizendo: “Eu sou José, vosso irmão, que vendestes para o Egito. Mas agora, não vos sintais magoados e não estejais irados com vós mesmos, por me terdes vendido para cá; porque foi para a preservação de vida que Deus me enviou na vossa frente.” José, às instâncias de Faraó, providenciou então que seu pai viesse ao Egito com toda a sua família, e eles receberam a melhor parte da terra do Egito. — Gên. 42:29 a 47:31.

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